2 de abr. de 2012

Um poema de Marina Pearce

Este poema foi interpretado por nós, a pedido da autora, no ano de 2003 no Festival de Poesia Falada promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da UFMA.

ENSAIO



Mostro-me inteira


Ainda que não transpareço.


Corpo – Alma,


          Simplificam-se.


Corpo e Corpo


         Se fazem em mim...


Minhas Mãos


Já são outras coisas,


E passeiam sob este rosto.


Antes,


Prenderam-se naquilo que é real


         e me delatou...


Já, já vou deixar cair


A última loucura,


Junto ao rascunho do sonho


        de ontem.


E, entre esses espaços:


         Sou formas geradas,


Brotando,


Nos refúgios das curvas desses braços.


Crescerá!


A insensata carícia


        Que se reveste e se cinge


Para depois repousar.


Agora,


Meus ossos estão colados à minha pele


         feitos sombras


que se alongam e inclinam-se


        entre os afagos.


Um gemido se dissipa


       Como fumaça...


Ainda a pouco


         Ele escorreu nos meus movimentos,


E minha língua o exaltou.


Bravo! Bravo!


Dissolveu-se meu último ato em cena.


                                                           Marina Pearce

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