Este poema foi interpretado por nós, a pedido da autora, no ano de 2003 no Festival de Poesia Falada promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da UFMA.
ENSAIO
Mostro-me inteira
Ainda que não transpareço.
Corpo – Alma,
Simplificam-se.
Corpo e Corpo
Se fazem em mim...
Minhas Mãos
Já são outras coisas,
E passeiam sob este rosto.
Antes,
Prenderam-se naquilo que é real
e me delatou...
Já, já vou deixar cair
A última loucura,
Junto ao rascunho do sonho
de ontem.
E, entre esses espaços:
Sou formas geradas,
Brotando,
Nos refúgios das curvas desses braços.
Crescerá!
A insensata carícia
Que se reveste e se cinge
Para depois repousar.
Agora,
Meus ossos estão colados à minha pele
feitos sombras
que se alongam e inclinam-se
entre os afagos.
Um gemido se dissipa
Como fumaça...
Ainda a pouco
Ele escorreu nos meus movimentos,
E minha língua o exaltou.
Bravo! Bravo!
Dissolveu-se meu último ato em cena.
Marina Pearce
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