Mais uma lenda maranhense para ser apreciada por nossos fãs:
Em Anajatuba, no lugar chamado Santa Joana, existiu um lavrador que trabalhava em sua roça muito distante de sua casa. Nos fins de semana fazia compras em Bacabal. Lá conheceu Filomena que, para todos, era simplesmente Mena. Após as compras e como de costume, foi dormir com a Mena. Ao deitar-se fingiu dormir. É que havia sabido de umas estórias e precisava comprovar.
Mena aproximou-se de sua rede e chamou-o: Filipe, Filipe... E ele calado. Evidentemente – pensou ela – deve esta dormindo. Despiu-se, foi ao fogão, afastou as três pedras, e espojou-se na cinza. Ao levantar-se tinha se transformado numa onça. Saiu dando saltos no quintal. Filipe tudo viu e ficou calado assustado. Teve, porém, a coragem de levantar-se e fazer a vistoria na casa. Subiu ao jirau e viu uma carne seca. Ali estava a carne de veado, de porco, de paca... Desceu e deitou-se novamente.
Sem poder dormir, ouviu ao longe gritos de gente latidos de cachorros, cacarejar de galinhas e grunhidos de porcos. De repente, entrou pela cozinha a onça com um porco preso entre os dentes. Soltou o animal, virou gente e foi tratar de esfolar sua presa. Preparou o sarrabulho, assou a carne e lembrou-se então de Filipe. Era tempo de acordá-lo.
Filipe continuava fingindo dormir. De repente, fingiu acordar. Levantou-se e despediu-se. Mena ofereceu-lhe um quarto de porco assado, mas notou que o homem estava diferente. Seu segredo havia sido violado. Quando o marido se foi, dirigiu-se ao jirau e notou a descoberta. Despiu-se novamente, envolveu-se na cinza, virou onça e partiu atrás de Filipe. O homem, na sua caminhada, pressentiu que estava sendo seguido. Passou num alagado onde os sapos coachavam. No momento de entrar na água os sapos calaram. Era o aviso certo de que a onça vinha perto. Escondeu-se detrás de uma árvore e ficou a espreita da fera, armado de facão. A onça não demorou a aparecer, vinha furiosa e avançou para cima de Filipe. Este porém gritou: Mena, eu te conheço. Não adianta enganar.
A onça ficou aturdida com as referências ao seu nome e o homem aproveitou para vibrar-lhe um golpe de facão na cintura. Ao jorrar o sangue, percebeu que a parte superior da onça transformou-se em mulher, enquanto que da cintura para baixo, continuava onça.
Os dois assustados correram para o povoado. Enquanto Filipe procurava a policia, Mona desesperadamente lutava para se libertar da metade do corpo que ainda era onça. Não conseguindo, faleceu.
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