O espetáculo apresenta três corpos, três situações físicas e institucionalizadas.
O primeiro corpo (Marcelo Evelin) é a instituição dança. O que dançar? O que é dança?.
Como o Estado que define os conceitos sociais, o corpo de Marcelo Evelin, com seus gestos e movimentos, questiona os espectadores quanto às suas ações na sua prisão institucionalizada, quanto o poder sobre o corpo do outro.
O amontoado de bonecos, as pessoas - sem identidade e libertade - identidade do mundo contemporâneo.
Os bonecos em conjunto ou individualmente são colocados em posições que definem conceitos de dança. Na barra - balé clássico; em roda - danças populares ...
Este Estado ao mesmo tempo que liberta, é também repressor. Repressor quando o corpo não acompanha o ritmo ditado.
O segundo corpo (Cipó Alvarenga) é o corpo carregado dos conceitos e preconceitos políticos-sociais-educacionais-religiosos quanto ao corpo. Preso ao chão, por uma banha, o corpo de Cipó Alvarenga tenta por todos os meios se libertar das melecas sociais que o mantem rente ao chão. Porém, todo o esforço torna-se inutil, pois a banha e o suor retem a força do corpo. Exaustivamente o corpo de Cipó Alvarenga explora todo o espaço onde esta imatado, mas não consegue alçar voo.
O terceiro corpo (Jacob Alves) é a libertação. A conscientização das possibilidades corporais de cada indíviduo. É o corpo livre de rótulos e conceitos sociais ditado pelas instituições. Jacob Alves no seu espaço azul (liberté) explora todas as possibilidades que as articulações, apoios e equilíbrios que seu corpo permite alcançar. Seu corpo é dança. É movimento. Dança é movimento. Jacob Alves alça voo pelo azul da esperança que a dança contemporânea, amplia sobre o conceito do corpo na dança. Dança é para todo ser Humano.
A proposta da encenação dos bailarinos não usar figurino permite ao espectador sentir, perceber e analisar como o corpo de cada bailarino se expressa durante a pesquisa corporal. O silêncio, a luz a concepção de cena foi um grande achado.
O espetáculo de plasticidade fenômenal, não tem fim. Enquanto houver público analisando aqueles três corpos, eles continuaram na sua labuta.
Um dos melhores espetáculos de dança contemporânea que assisti nesses dois últimos anos.
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